Caarapó
Secretário e vereador trocam acusações públicas
Conflito expõe racha dentro do grupo político da atual gestão municipal
CAARAPONEWS/CAARAPONEWS
Um embate político entre o secretário municipal de Agricultura e Desenvolvimento Econômico, Mário Valério, e o vereador Celso Capovila (PL) veio a público na noite desta quinta-feira (18), agitando os bastidores da política local. A troca de acusações começou com um desabafo de Mário Valério em grupos de WhatsApp e foi rapidamente respondida por Capovila, que também usou as redes sociais para se defender e contra-atacar.
Mário Valério: “Sempre fui perseguido dentro do próprio grupo”
Em mensagem de texto, publicada em grupos de Whatsapp e que desencadeou a polêmica, o ex-prefeito e atual secretário municipal, Mário Valério, expressou descontentamento com o que considera perseguição política por parte de um vereador de sua base. Sem citar nomes diretamente, Valério se referiu claramente a Celso Capovila (PL).
“Quero fazer um desabafo sobre tudo que está acontecendo com a minha família nessa gestão. Sempre procurei fazer as coisas certas, mas tem gente tentando me derrubar”, disse. Valério também afirmou que o vereador em questão teria sido eleito apenas por interferência de um empresário local (Que teria lhe ajudado) e que sua filha, a vice-prefeita Jéssica Valério, já estaria eleita sem essa aliança, pois seria candidata a vereadora na mesma chapa.
O secretário relembrou sua trajetória política, citando seus mandatos como vereador e prefeito, e respondeu a críticas pessoais: “Sou chamado de alcoólatra e analfabeto, mas sempre fui eleito com apoio popular. Nunca precisei mandar dar tiro na minha casa para ganhar eleição”, afirmou, insinuando que o vereador teria simulado um atentado para se beneficiar eleitoralmente.
Celso Capovila rebate: “Não adianta chorar. Eu fiscalizo o senhor”
A resposta do vereador Celso Capovila veio logo em seguida, através de áudio. Ele disse que Mário Valério precisa entender seu papel atual como secretário, e aceitar a fiscalização por parte do Legislativo.
“O senhor é secretário e é mandado por alguém. Eu sou vereador e fiscalizo o senhor. Se fui à sua secretaria e encontrei algo errado, não adianta ficar chateado”, afirmou Capovila. Ele alertou que, caso irregularidades não sejam corrigidas, poderá acionar a Câmara e o Ministério Público.
O vereador também acusou Valério de manobras para burlar regras de nepotismo, mencionando um sobrinho do secretário que, segundo ele, estaria trabalhando com Valério, mas estaria nomeado em outra secretaria e a contratação anterior da irmã do secretário, que teria sido exonerada após denúncia feita por Capovila.
“Colocou mais de 30 pessoas na prefeitura entre contratados e comissionados, muitos sem capacidade técnica. Meu papel é fiscalizar tudo isso”, reforçou.
Sobre a acusação de ter simulado um ataque à própria residência durante a campanha eleitoral, Capovila respondeu de forma incisiva: “Gostaria que provasse. Isso o senhor não é capaz de fazer.”
Deputado Marcos Pollon no centro da disputa
Outro ponto que acirrou a troca de farpas foi o envolvimento indireto do deputado federal Marcos Pollon (PL). Mário Valério sugeriu que Capovila teria sido “descartado” pelo parlamentar, que inclusive teria retirado uma caminhonete que o vereador utilizava.
Capovila negou qualquer afastamento político e afirmou que a parceria com Pollon continua ativa. Segundo ele, a não nomeação para o gabinete em Brasília foi motivada por questões burocráticas, o que o fez retornar à Câmara Municipal.
“Minha parceria com o deputado Marcos Pollon continua mais firme do que nunca”, garantiu. Ele ainda provocou Valério:
“Venha, abandone esses medalhões que nunca deram futuro pra cidade e que já foram presos, como André Puccinelli (Ex governador) e caminhe com gente decente.” Em tom político, finalizou dizendo:
“Acho pouco provável que Pollon vá trocar alguém que tem princípios de direita por quem lambe as botas do Lula.”
Clima tenso na base aliada
A troca pública de acusações entre o vereador e o secretário revela um racha dentro do grupo político que sustenta a atual administração municipal. A disputa por espaço, influência e alinhamento político com lideranças estaduais e federais torna o cenário ainda mais sensível.
Até o momento, a prefeitura não se pronunciou oficialmente sobre o caso. Conforme apurado pelo CaarapoNews, nos bastidores, aliados tentam conter os danos e evitar que o conflito comprometa a governabilidade e a coesão interna da base.
