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Acusada por Zelensky de ajudar Rússia, Polônia vai deixar de fornecer armas à Ucrânia 

Presidente ucraniano disse que governo polonês finge solidariedade, mas apoia indiretamente Moscou

R7 / INTERNACIONAL | POR AFP


Polônia tem apoiado a Ucrânia desde os primeiros dias da guerra, disse diplomata - SPENCER PLATT/Getty Images via AFP - 20.09.2023

O primeiro-ministro polonês, Mateusz Morawiecki, afirmou, nesta quarta-feira (20), que seu país não fornecerá mais armas para a Ucrânia, após o governo convocar 'com urgência' o embaixador ucraniano para protestar contra as declarações do presidente Volodmir Zelensky na ONU. 

Na terça-feira, o chefe de estado ucraniano disse que 'alguns países fingem solidariedade [para com a Ucrânia], mas apoiam indiretamente a Rússia'.

'Não estamos fornecendo nenhum armamento para a Ucrânia, pois agora estamos armando a Polônia com as armas mais modernas', respondeu Morawiecki a uma pergunta de um jornalista sobre se a Polônia apoiaria a Ucrânia militar e humanitariamente apesar do conflito relacionado aos cereais.

O primeiro-ministro não revelou em que momento a Polônia, uma dos principais fornecedoras de armas da Ucrânia, deixou de fornecê-las, nem se isso estaria vinculado ao conflito sobre os cereais ou às falas de Zelensky na ONU. 

'Estamos concentrados principalmente na modernização e no armamento rápido do Exército polonês, para que se torne um dos exércitos terrestres mais potentes da Europa em um prazo muito curto', explicou. 

Ele também disse que o centro militar localizado na cidade de Rzeszow (sudeste), por onde passa o material ocidental com destino à Ucrânia, está funcionando normalmente. 

Antes do anúncio, a Polônia havia convocado 'com urgência' o embaixador da Ucrânia para protestar contra as declarações de Zelensky na ONU. 

O Conselho de Segurança é o mais importante órgão das Nações Unidas (ONU) e tem como principal função manter a paz e a segurança internacionais. É composto de 15 membros, cinco deles permanentes com poder de veto: Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido. Os outros dez membros têm mandato rotativo

O Conselho de Segurança da ONU é formado por cinco membros permanentes: Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, França e China. Essa composição foi definida na criação da ONU — esses países saíram vitoriosos da 2ª Guerra Mundial e eram as principais potências militares da época. Há cerca de 80 anos, a China não tinha o mesmo poderio militar visto atualmente, mas foi incluída no Conselho pelo tamanho de seu território

O Conselho de Segurança da ONU tem o poder de impor sanções econômicas, embargos e outras restrições. Em casos extremos, o grupo pode até autorizar o uso de força militar em conflitos internacionais. Os membros permanentes, no entanto, também podem vetar essas resoluções. Na prática, eles podem bloquear uma medida, reduzindo a eficácia do Conselho de Segurança: as grandes potências são acusadas de defender seus interesses vetando resoluções

Além dos membros permanentes, que têm poder de veto, o Conselho de Segurança é formado por dez membros rotativos, eleitos pela Assembleia-Geral para mandatos de dois anos. A eleição é feita de forma a garantir que todas as regiões do mundo estejam representadas de alguma forma. Cinco novos membros são eleitos a cada ano, para que haja um revezamento entre as nações no conselho

Para ser eleito, um país deve receber o apoio de pelo menos dois terços dos Estados-membros presentes e votantes na Assembleia-Geral durante uma votação secreta. Isso ajuda a garantir que os novos membros tenham amplo apoio entre os membros da ONU

A presidência do Conselho de Segurança é rotativa e muda mensalmente, seguindo a ordem alfabética em inglês dos nomes dos países-membros. Isso significa que cada um dos 15 membros do Conselho (cinco permanentes e dez não permanentes) tem a oportunidade de assumir a presidência do órgão por um mês

O vice-ministro polonês das Relações Exteriores, que recebeu o diplomata ucraniano, denunciou uma 'tese falsa (...) e particularmente injustificável em relação à Polônia, que tem apoiado a Ucrânia desde os primeiros dias da guerra', segundo o comunicado do ministério. 

As tensões entre Varsóvia e Kiev ocorrem devido a um conflito sobre o comércio de cereais ucranianos, cuja importação foi proibida na Polônia para proteger os interesses de seus agricultores.  A disputa ficou mais tensa nos últimos dias. 

Na sexta-feira, a União Europeia anunciou que pôs fim à proibição da importação de cereais ucranianos decretada em maio por cinco Estados do bloco (Polônia, Hungria, Eslováquia, Bulgária e Romênia) pelas distorções que elas provocavam em seus mercados locais. 

Polônia e Hungria desafiaram a decisão e impuseram embargos unilaterais, aos quais Kiev respondeu anunciando um futuro recurso ante a Organização Mundial do Comércio (OMC).

Morawiecki advertiu que ampliaria a lista de produtos ucranianos vetados se Kiev intensificasse o conflito sobre os cereais.  A diplomacia ucraniana instou a Polônia a 'deixar a emoção de lado' e a adotar uma abordagem 'construtiva' nessa disputa.